O cenário econômico brasileiro deve passar por uma movimentação intensa nos próximos meses, com um aumento nos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial. Especialistas do setor de reestruturação empresarial acreditam que as empresas estavam aguardando o resultado das eleições presidenciais para tomar decisões cruciais sobre suas operações.
Movimentos no mercado de reestruturação
Com quase 7 mil solicitações de recuperação e mais de 4 mil falências registradas até o início de outubro, os números alcançados em 2023 são considerados recordes. Joice Ruiz, sócia fundadora do escritório AJ Ruiz e presidente da TMA, destacou que é comum que as empresas esperem por um momento mais claro antes de avançar com suas estratégias. Ela afirma que “com o resultado das urnas, é possível que novas empresas avancem nessas decisões nos próximos meses, inclusive com novos pedidos de recuperação judicial somando-se ao expressivo volume de casos que acompanhamos diariamente.”
Cenário de incertezas
A Aeris, fornecedora de pás eólicas, já se posicionou e protocolou um pedido de recuperação extrajudicial, com uma dívida de R$ 1,6 bilhão. O consenso entre os especialistas é que o volume de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial continuará a crescer. A reeleição de Lula, segundo eles, traz mais incertezas sobre a condução das políticas fiscais e a manutenção das altas taxas de juros.
Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, ressalta que a incerteza econômica aumentou após o segundo turno das eleições. Ele menciona que “o juro futuro foi acima de 15% para 2030, ante 12,5% antes do segundo turno.” Assim, as empresas terão que reformular suas dívidas, enfrentando um ambiente menos favorável para novas operações de crédito.
Eficiência nas soluções de reestruturação
Renan Machado, do escritório Coelho Murgel Atherino Advogados, enfatiza que, com a tendência de aumento nos pedidos de recuperação, é essencial que os processos de reestruturação sejam ágeis e seguros. Ele argumenta que “o mercado de crédito é parte essencial da solução, e não apenas um agente externo ao processo de recuperação.”
Uma fonte técnica do setor, que preferiu não ser identificada, sugere que as empresas que estavam esperando a definição das eleições devem ser cautelosas e aguardar um pouco mais. A indefinição sobre quem irá comandar os principais ministérios do novo governo, como o Ministério da Fazenda, é um dos fatores que ainda geram insegurança. Essa fonte acredita que “o ideal é que as empresas aguardem mais um tempo para que, após essas definições, se tome uma decisão mais razoável.”
Com o cenário atual, fica claro que as próximas semanas e meses serão cruciais para muitas empresas, que precisarão agir rapidamente para se reestruturar e enfrentar os desafios econômicos que se aproximam.
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