A ação no Clube Naútico Araraquara realizada pela Secretária da Saúde do Estado e pela Secretaria da Saúde de Américo Brasiliense com o apoio da Polícia Militar, teve início às 06h da manhã desse sábado (25).
Para a Secretária de Sáude de Américo, o Náutico é considerado o mais provável local onde duas pessoas teriam sido picadas pelo mosquito transmissor da Febre Amarela. Uma criança que está internada no Hospital São Paulo com suspeita de Febre Amarela, também, teria frequentado o local, segunda a secretaria.
O local encontra-se interditado e seus usuários etão impedidos, até segunda ordem, de frequentarem o local.
O Clube Náutico está localizado ao lado da Rodovia Antonio Machado Sant’Anna – SP-255, no Município de Américo Brasiliense, a sede de campo possui uma área de 274,38 alqueires ou 664 hectares. A represa, símbolo do clube, tem 44,65 alqueires ou 108 hectares e a reserva natural da mata, única de cerradão em uma vasta região, abriga dezenas de espécies animais em seus 157 alqueires ou 380 hectares.
O Clube conta com quase 14 mil associados em condições de frequência, além de dispor de uma estrutura semelhante à de uma pequena cidade.
O portal Fala Matão entrou em contato com o Clube Náutico de Araraquara, que emitiu uma nota de repúdio:
Clube Náutico
O Conselho de Administração do Clube Náutico Araraquara vem a público e em consideração a seus milhares de associados manifestar seu repúdio pela atitude desproporcional e descabida da Diretoria Municipal de Saúde de Américo Brasiliense ao interditar a sede campestre do clube sob alegação de que ali haveria um foco de transmissão de febre amarela, após a ocorrência de dois casos em Américo Brasiliense e Araraquara.
Como é sabido por todos, o Náutico possui em sua sede campestre uma mata, tal como ocorre em muitos outros locais (pesqueiros, chácaras, sítios, fazendas, recantos com cachoeiras). A mata que circunda o clube, entretanto, é uma área de preservação permanente, respeitada pelos associados, e que por determinação legal não pode sofrer intervenção humana em sua flora ou fauna.
Não há nas dependências do Clube Náutico a mínima transgressão às normas sanitárias. E não há comprovadamente evidência de que tenha sido inoculado o vírus nas dependências associativas; a notícia de que teria sido encontrado um macaco morto em decorrência da febre, disseminada nos meios de comunicação e redes sociais, mostrou-se equivocada, primeiramente porque o animal foi encontrado há quilômetros da área do clube, e ao depois confirmado que a causa da morte não foi a febre amarela.
Há dias a Diretoria do clube vem determinando ações para conscientização de seus associados sobre a importância da imunização, pois a vacina é a única forma de proteção contra a doença. Por nossa iniciativa nos juntamos à Secretaria Estadual da Saúde e às Prefeituras de Araraquara e Américo Brasiliense para realizar uma campanha de orientação das populações desses municípios, ultrapassando até mesmo a esfera de atuação que nos compete, que é alcançar todo o quadro associativo.
Em verdade, trata-se de moléstia passível de imunização, cujo dever é exclusivamente do Poder Público, por meio de seus órgãos de saúde. Diferentemente de outras doenças, uma epidemia somente ocorre quando os órgãos públicos não promovem a vacinação.
As maciças campanhas de orientação de iniciativa do Náutico e da rádio deram-se em razão da injustificável omissão dos órgãos responsáveis. Exemplo vívido dessa inoperância é o fato de que Américo Brasiliense não possuía doses de vacina sequer para imunizar os empregados do clube, a ponto de um de seus colaboradores ter sido obrigado a deslocar-se até Araraquara, para buscar um agente que realizasse a vacinação dos demais.
O Clube Náutico Araraquara, há 53 anos presente no dia-a-dia das comunidades da nossa microrregião e participante ativo de várias causas dessas populações, repudia veementemente a forma como vem sendo tratado o problema pelas autoridades de saúde envolvidas, uma vez que desde o óbito de uma moradora de Américo Brasiliense, em janeiro, não se viu nas cidades do entorno nenhuma campanha oficial de alerta e providências para aumentar a cobertura vacinal.
Tentar valer-se de uma medida isolada e ostensiva, como essa despropositada interdição, para disfarçar a omissão do Poder Público, além de ser inegavelmente injusto, não resolve o problema e mantém os cidadãos reféns da falta de política pública de saúde.
O Clube tomará todas as medidas cabíveis visando demonstrar que não pode ser tratado como bode expiatório da questão, até mesmo porque não se cogitou em nenhum momento de interditar toda a zona rural das cidades no entorno de nossa sede campestre.
Araraquara, 25 de março de 2017.
Rubens Tositto Junior
Presidente do Conselho de Administração











