Em 11 de outubro de 1996, o rock brasileiro perdia um de seus maiores expoentes. Renato Russo liderou a Legião Urbana e a transformou numa banda de 25 milhões de discos. Foi autor de canções que, 20 anos depois, ainda estão na ponta da língua de sua legião de seguidores.
Em 1993, o grupo Legião Urbana levou às paradas de sucesso uma música que atacava as mazelas de um Brasil recém-saído de um processo de impeachment. Na voz de Renato Russo, cuja morte completa 20 anos na terça-feira (11), “Perfeição” elencava feridas históricas. Entre outros temas, a letra falava da alta criminalidade, dos índices de mortalidade infantil, da baixa frequência escolar e estupros. O videoclipe da canção foi eleito o melhor do milênio em enquete realizada pela MTV Brasil.
Nele, o vocalista aparece deitado em meio a pétalas, enquanto seus companheiros empunham instrumentos num descampado castigado por um vento incessante.
Vinte e três anos se passaram. Terá o país se afastado daquelas imperfeições? De nove problemas cantados — e cujos números de 1993 foram comparados aos de agora—, quatro melhoraram.
O Brasil tem menos jovens fora das escolas, o analfabetismo caiu, e a mortalidade infantil, também. O país também conseguiu diminuir a fome vergonhosa. Contudo, em outras três situações, o cenário se agravou. Cresceram os homicídios por arma de fogo, o número de mortes em rodovias federais e os focos de queimadas. Não há dados públicos para analisar estupros, roubos ou trabalho escravo. Faltam estatísticas históricas ou trabalhos que sigam a mesma metodologia, o que permitiria comparações.
Resta a esperança cantada por Renato ao final: “Nosso futuro recomeça/ Venha, que o que vem é perfeição”.
por: Mario Luis Granjeia











